
Queria eu ter algo a oferecer em troca, algo autoral.
De verdadeira beleza, complexidade formal,
mas não sei se já disse:
minha escrita é tão somente minha,
que nem sei porque escrevo.
Talvez pelo embaraço da mente,
ou pela canseira das vozes,
que teimam em continuar a sussurrar.
E eu obediente e ouvinte de mim mesmo, que sou,
continuo sempre a expor e indispor
esses devaneios surrados e misturados na dor.
Infelizmente por hora nada tenho a oferecer,
por seus cinco poemas,
mas agora uma dívida contraí.
Não sei se é bom, ou é ruim?
Não sei...
Talvez me obrigue a escrever:
sistematicamente, expressivamente, claramente.
sistematicamente, expressivamente, claramente.
O que ironicamente me soa menos harmoniosamente.
Talvez à você escreva e conclua peças que já foram criadas.
Que estão prontas e moldadas,
e hoje habitam recôncavos perdidos do tempo,
por tempos perdidos demais.
Na mente devaniosa de um simples ouvinte mordaz.
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