sábado, 5 de novembro de 2016

Por seus Poemas...

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Queria eu ter algo a oferecer em troca, algo autoral.
De verdadeira beleza, complexidade formal, 
mas não sei se já disse: 
minha escrita é tão somente minha, 
que nem sei porque escrevo. 

Talvez pelo embaraço da mente, 
ou pela canseira das vozes, 
que teimam em continuar a sussurrar.
E eu obediente e ouvinte de mim mesmo, que sou, 
continuo sempre a expor e indispor
esses devaneios surrados e misturados na dor.   

Infelizmente por hora nada tenho a oferecer,
por seus cinco poemas, 
mas agora uma dívida contraí. 
Não sei se é bom, ou é ruim? 
Não sei... 
Talvez me obrigue a escrever: 
sistematicamente, expressivamente, claramente. 
O que ironicamente me soa menos harmoniosamente. 

Talvez à você escreva e conclua peças que já foram criadas. 
Que estão prontas e moldadas, 
e hoje habitam recôncavos perdidos do tempo,
por tempos perdidos demais.
Na mente devaniosa de um simples ouvinte mordaz.


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