sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Invernos Internos

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O inverno está a se aproximar,
eu posso sentir.
Não pelo frio que insiste em ficar,
ou pela neblina que teima em cair.
O inverno está chegando,
dentro de mim.

Vejo o passado futuro,
nos olhos de uma criança.
no olhar, andar, falar,
outro alguém, outro estar.
Algo mudou, imperfeito ficou.  
mas ainda assim está lá;
no sorriso, no agir.
você em outro.
Saudades sem fim.

Enquanto raios lampejam sobre o mar,
em tempos imemoráveis,
observo – quieto –  o inverno chegar.
Na praia de minha solidão,
na beira do mar sem fim,
névoa, neblina, temporal,
o inverno já está em mim.

Em outros olhos está o seu olhar.
Outro alguém, outro mar,
em primavera.
Pra ti inverno não há.

Resta do inverno,
aquele externo,
Intenso, imenso, mas com fim. 
Vestígios que ousaram ficar,
Restaram memorias, lembranças, estórias,
e dessa vez não se resumirá, ou cessará,
não terei em seu olhar, a sorte de estar.
É um novo inverno,
Interno,
que vejo se aproximar.

sábado, 5 de novembro de 2016

Por seus Poemas...

Resultado de imagem para devaneios

Queria eu ter algo a oferecer em troca, algo autoral.
De verdadeira beleza, complexidade formal, 
mas não sei se já disse: 
minha escrita é tão somente minha, 
que nem sei porque escrevo. 

Talvez pelo embaraço da mente, 
ou pela canseira das vozes, 
que teimam em continuar a sussurrar.
E eu obediente e ouvinte de mim mesmo, que sou, 
continuo sempre a expor e indispor
esses devaneios surrados e misturados na dor.   

Infelizmente por hora nada tenho a oferecer,
por seus cinco poemas, 
mas agora uma dívida contraí. 
Não sei se é bom, ou é ruim? 
Não sei... 
Talvez me obrigue a escrever: 
sistematicamente, expressivamente, claramente. 
O que ironicamente me soa menos harmoniosamente. 

Talvez à você escreva e conclua peças que já foram criadas. 
Que estão prontas e moldadas, 
e hoje habitam recôncavos perdidos do tempo,
por tempos perdidos demais.
Na mente devaniosa de um simples ouvinte mordaz.


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Insípidos



Meu pesar é que hoje não quero uma coleção de boy toys para montar;

Minha infelicidade é que não tenho vontade de comprar o desejo;

Meu infortúnio é que aqueles que me satisfaziam hoje não tem sabor algum;

Minha tristeza é pensar que já tive demais, mas não tive nenhum.

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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Impensado

Ainda que fosse um comentário imperfeito,
um elogio descabido.
Feito com palavras desmedidas e impensadas. 
Somente por ter notado,
e esse simples fato,
uma chama de esperança,
se reascendeu.
Algo que já havia julgado consumido, exaurido, extinguido...
E por mais uma vez,
outra vez,
 sentiu seu coração bater.